terça-feira, 10 de novembro de 2009

entre a vila e a academia: eu

Pros que vivem acima do Mampituba (o rio que divide Santa Catarian do Rio Grande do Sul), esclareço que "vila" é o termo Porto-alegrense pra favela. E desde ontem é o meu lugar de trabalho. Sim, esta vos fala irá sacolejando toda noite até o outro extremo da cidade - em muitos sentidos - para exercer o nobre ofício de lecionar.

Mas antes disso, hoje mesmo, vou fazer uma visitinha à universidade. Preciso discutir meu novo projeto de pesquisa com meu eterno orientador.

Logo, um dia de contrastes. A começar pela descida do ônibus. Em um adentro a vila. No outro, dou as costas a ela. Sim, por que o Campus do Vale da UFRGS, onde se localiza o Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, fica colado numa vila. Não de Porto Alegre, mas de Viamão. Curioso que o limite entre as duas cidades coincide com a linha demarcatória do campus. Incluídos na Capital os intelectuais, cientistas, os doutos. Excluídos dela, na periferia, na região metropolitana, o resto.

Pois bem, depois do que eu espero seja uma boa conversa sobre os defeitos e acertos da minha proposta de trabalho, embaco eu num dos orgulhos do transporte coletivo: a linha transversal, no caso o T10. As transversais são linhas de ônibus que atravessam a cidade ligando pontos distantes do centro sem passar por ele. Exemplarmente, o T10 vai da zona leste à zona norte. E eu embarco num terminal para descer em outro. Atravesso a cidade por um trecho que poucos gostariam de ver, se pudessem. Não existem os belos túneis verdes, famosos por cobrirem as ruas da cidade, quando as copas das árvores se fecham. Também não há parques, praças ou o Guaíba.

Sim, há muito de Porto Alegre que se prefere ignorar. Pois bem, lá vou eu obrigatoriamente me importar com isso. Só espero que depois de algum tempo, não me acostume a ver aquilo a ponto de ignorá-lo. Por que os rostinhos dos poucos alunos que compareceram a primeira aula ontem, tinham desejo de que não se ignorasse mais eles.

sábado, 7 de novembro de 2009

descobertas, ou algo como as grandes navegações

Algumas vezes me sinto em meio a um mega evento histórico, mas é só uma fase de mudanças bruscas, que de brucas não tem nada, por que eu as procurei muito. Pois então, mais ou menos como "as grandes navegações", que foram resultado de um grande processo, mas mudaram tudo.

E engraçado como os acidentes de percurso, as "descobertas", eram fabulosamente possíveis em outros momentos, mas se concretizam agora.

Descobri que estudei anos no mesmo prédio, no mesmo período, que três pessoas fantásticas. Raros achados de inteligência. Lembrando, o que já disse aqui muitas vezes, que inteligência é composta mais ou menos de uns 50% de senso de humor. E se for refinado então, é aquela inteligência que encanta! Pois então, eu que sempre reclamo de como sou chata, incapaz de não usar meu sarcasmo e de me encantar simplesmente com as coisas, me encantei com pessoas como eu.

Além disso, tem as descobertas já realizadas e não concretizadas. Explico. Tem aquelas pessoas que eu já tinha sacado que eram muito do bem, e com quem eu já percebia uma afinidade, mas aí, a maldita rotina sempre nos distanciava. Pois então, na oportunidade em que aproximou, as coisas foram fantásticas. Eu sou extremamente cooperativa se sentir que é segura fazer as coisas assim. Pois então, descobri que tem mais gente assim. E capaz de aguentar minha brusquidão, minha objetividade de patrola, minha rapidez de execução (sim, tem duplo sentido).

Pois então. Eis-me, com minha arrogância, mais uma vez comparando minha situação específica com um evento histórico que mudou os rumos do planeta. Não adianta, ao fim, só tenho algo a acrescentar, e é a lista dos defeitos: sou megalomaníaca.

domingo, 18 de outubro de 2009

sobre rochas e água

Voltava para casa e pensava em tudo que tinha que fazer, quando viu uma criança chorando por que pedia à mãe para comprar sorvete.

Imediatamente imediatamente foi transportada à uma tarde quente da infância quando, depois de andar muito abaixo de sol, a mãe comprava um sorvete para que dividisse com o irmão, e compadecido, o sorveteiro dava um sorvete apenas para ela. A mãe, engoliu sua vergonha, demonstrou sua gratidão e desejou que isso nunca mais fosse necessário.

Como não se transformar em água, mesmo precisando ser rocha? A verdade é que apenas essa pergunta a atormentava. Queria ter aquela mesma capacidade da mãe de engolir o que é ruim e só demonstrar o que é bom e necessário. Mas não sabe se ao fazer isso a mãe também chorava sozinha, durante o banho, pra niguém ver.

O mais absurdo era a razão demonstrar que toda a sua dor não minorava o sofrimento inevitável que a mãe passaria. E que apesar do sofrimento alheio, e do seu próprio, fruto da impotência, a vida tinha que continuar. E então ela percebia que estava na porta de sua casa e podia ao menos fazer uma ligação pra lembrar que amava. Só não sabia se lembrava a si mesma ou a quem atendia o telefone.

Voltou a ser rocha, pelo menos pra que sua voz não se vertesse como tormenta.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Frase Fun: livros de Tolkien premiam a criatividade

Os queridíssimos amigos que publicam o blog Tolkien Fun, uma séria e divertida brincadeira sobre a obra de J. R. R. Tolkien, o famoso escritor de O Senhor dos Anéis, lançaram no último domingo um espetacular concurso. Comemorando um ano de funleação (como eles gostam de chamar as suas postagens), estão premiando com livros de Tolkien as frases mais criativas para o desafio que lançaram.

Se você quiser se divertir, ou mesmo concorrer aos livros (eu já tô lá), é só ir visitar o Tolkien Fun. Além disso, mesmo os mais leigos sobre a obra do professor (como os fãs costumam chamar Tolkien), poderão se deliciar com montagens de cenas dos filmes em que os personagens dizem o que fariam para ganhar os livros.

Fica a espetacular dica e uma pequena amostra do que vocês encontrarão lá.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

GalileoMobile

Direto da Página do orkut da querida Pati Spinelli, vieram as informações sobre um dos projetos mais fantásticos que eu já vi!

Oi amigos!

Vou aproveitar este espaco para publicidade de um projeto muito interessante que tomou conta da minha vida desde novembro do ano passado. Chama-se GalileoMobile e trata-se de uma viagem cultural e educativa que acontecera durante os meses de Outubro e Novembro no Altiplano Chileno, Boliviano e Peruano. O projeto leva o Ano Internacional da Astronomia a comunidades e escolas rurais destes paises, tendo como objetivo promover a ideia de que somos "unidos sob o mesmo ceu". O GalileoMobile esta equipado com telescopios e material astronomico educativo e tem como base compartilhar visoes distintas do ceu e e' por isso que viaja para os paises berco da civilizacao Inca. Desta emocionante jornada, um documentario sera produzido e distribuido gratuitamente.

GalileoMobile comeca oficialmente dia 05 de Outubro na cidade de Antofagasta, no Chile!

Enquanto o documentario nao fica pronto, acompanhe nossa viagem atraves das seguintes paginas:

BLOG e TWITTER:

http://galileomobile.wordpress.com

http://twitter.com/galileomobile

FOTOS da nossa rotina:

http://picasaweb.google.com/fotosgalileomobile

FOTOS artisticas:
www.flickr.com/photos/galileomobile

FACEBOOK:
http://www.facebook.com/search/?q=galileomobile&init=quick#/group.php?gid=119106532335&ref=search&sid=725551628.1781330822..1

PAGINA OFICIAL:
http://www.galileo-mobile.org/