segunda-feira, 16 de março de 2009

memorável

Para esclarecer todos os curiosos e para saciar meu próprio ego, uma semana depois resolvi contar sobre como foi a segunda feira mais interessante de minha vida.

Já era importante pra mim o dia 09 de março. Não apenas por que por muitos anos foi marcado pela ressaca das manifestações do dia anterior, quando eu ainda via o movimento feminista nas ruas, geralmente bem no meio dele. Mas também, foi num 09 de março, o de 2001, que me mudei para Porto Alegre. Sempre será um marco na minha vida, não apenas por ser o dia em que saí da casa dos meus pais, mas principalmente por que foi o dia em que comecei a longa série de tentativas, tipo erro e acerto, aquelas que todos nós prosseguimos fazendo ao longo de nossas vidas.

Não vou esconder que na minha condição de ser humano inseguro me preparei para o pior. Marquei terapia para o dia seguinte e comi duas vezes mais do que gostaria. Na sexta feira antes dei um jeito de parar no hospital. Pra não falar nas longas voltas de bicicleta na orla do Guaíba pra gastar energias e conseguir noites de sono tranquilo. Impressionantemente acordei no dia com uma sensação de dia normal. Alguma ansiedade cinco minutos antes de começar, mas no momento em que abriram-se os trabalhos tudo mudou.

Agora, essa será uma data a ser rememorada com mais sabor. Eu me encontro como uma mulher apaixonada que passa as horas que se seguem ao encontro com seu amado: rememorando sensações. Engraçado que muitas dessas sensações emergiam por breves lapsos de tempo, que duram menos de um segundo e depois se iam, dada a minha concentração no que ali importava. Foi assim com a lembrança de que meus erros estariam expostos para meus pais, com a percepção de que tinha que desligar o data show por que a luz era irritante ou mesmo com a sensação de que a sala era claustrofóbica, com suas janelas lacradas e a cortina black-out. Nada disso foi levado em conta, nem mesmo a percepção que explica tudo isso, a de que eu tinha controle total sobre minhas ações, tamanha a minha concentração.

Como disse meu orientador, foi um passeio. Calma e alegre, ele me repetiu isso todos esses cinco anos e tanto em que trabalhamos juntos. Parece que eu escutei. Mas o mais aterrador foi apenas sorrir com os elogios. Agora, parando pra pensar, abraços e gritos eufóricos caberiam melhor à alegria que me deram. É impressionante como uma atmosfera nos envolve, por que na verdade, tudo foi absolutamente respeitoso, a leitura que fizeram do meu trabalho e as reações que eu tive a elas e apenas quem viveu uma atmosfera dessas de respeito profundo pode entender o que se passava. Obviamente eu já vivi situações de respeito, mas como ele em geral vinha acompanhado de cumplicidade, amor e uma certa dose de liberalidade, nunca tinha entendido o profundo significado de ser reverente. Sim, por que quando só há respeito, do mais digno, do mais profundo e do mais sensato, só então é possível ser reverente.

Não sei descrever qual é o prazer de trabalhar anos e respeitarem o teu trabalho. Pessoas com trabalhos admiráveis, pesquisas que inspiraram minha tragetória, conhecimentos acima do meu, e sim, elas me respeitaram. Mérito delas, mérito meu, honestidade intelectual, tudo isso não explica. Não ignoro que existem outros fatores, mas é impressionante para quem conviveu com as piores reações da fogueira das vaidades intelectuais, ou pseudo-intelectuais, ver aquilo que era um sonho inatingível se realizar.

Gostaria que pudesse ser sempre assim. Mas o mundo não é de algodão doce, estou me preparando para a próxima. Claro, com o desejo de que as coisas sejam surpreendentes de novo, por que o foram.

Às formalidades então: os conceitos atribuídos foram A, A e A. O que fica muito bonitinho pra mim.

3 enviaram correspondência:

LETÍCIA CASTRO disse...

Hehehehe Comadre, insuportavelmente merecido. hehehe Vc tem direito triplo, viu? Pode se esbaldar.
Que bom quando um momento que teria tudo pra ser agoniante transcorre assim como um suave passeio, né?
Acho que a gente vive também por esses instantes sublimes de nobreza, é o grau mais alto e digno do ser humano. Isso é maravilhoso e, repito, vc merece, sem sombra de dúvida, pois fui testemunha de um pouco dessa árdua caminhada.
Muito, muito orgulho, viu? Mas isso é redundância.
Beijocas carinhosas!

Vivica Bolacha disse...

PARABÉNS!!!!
O mestrado está nos meus planos futuros e tomara que a minha defesa seja assim, como a tua.

E agora...já deciciu qual será a tese de doutorado?????!!!! rsrsrsrs

Arnaldo Reis Trindade disse...

Amiga, parabéns novamente pra ti , mereces isso e bem mais.

Beijos