quinta-feira, 22 de setembro de 2011

então é isso, ou como fica minha vida

Ok, eu já falei que vou voltar antes pra casa. Mas não disse como, quando e principalmente o porquê. Pra fazer isso, vou me inspirar no personagem principal de um dos meus seriados preferidos: Ted de How I met your mother, e começar contando um história longa, voltando alguns anos.

Kids, no fim do inverno de 2009, eu estava desempregada. Licenciada, bacharelada e mestrada, e ainda assim desempregada. Não sabia se ia conseguir entrar no doutorado com bolsa no ano seguinte e se não ia ter que voltar para a casa dos meus pais em Caxias do Sul por não conseguir comprar nem o pãozinho do café da manhã, então eu comecei a fazer todos os concursos que apareciam e estudar como uma doida. Foi assim, que numa manhã fria e chuvosa de um domingo eu fui até o Campus Charqueadas do IFSul, acompanhado do meu amigo Mário San Segundo fazer o concurso de professor de história.

Saí de lá achando que tinha sido a pior prova da minha vida. Pra piorar tudo, tinha lama em todos os caminhos que eu poderia pisar, e meu amigo ainda levaria uma hora para sair do prédio de provas. E a cidade era cinza, parada no tempo. E eu achei que tinha perdido meu tempo indo até lá. E que ainda por cima tinha gastado dinheiro dos meus pais numa empreitada que não ia resultar em nada. Enfim, quando encontrei com outros amigos que saíam da prova com o mesmo desânimo, achei que era o fim. Ainda mais que os gabaritos não batiam, cada um tinha respondido uma coisa. Fui pra casa, num dia tedioso, me entupir de comida, abandonando minha dieta que tinha me levado a emagrecer mais de vinte quilos. Foi tão deprimente aquele dia que prometi que ia fazer alguma coisa acontecer.

Quase um mês depois, as coisas estavam meio paradas, mas eu ao menos me mexia. Voltei para a dieta (abandonada só naquela tarde, diga-se de passagem), estava com um projeto de doutorado encaminhado, tinha feito mais um concurso e tudo ia seguindo. Foi quando resolvi olhar só pra saber o resultado daquele concurso ingrato de Charqueadas. E lá estava eu, classificada para a prova didática em último lugar. Veja bem, havia dois caras depois de mim com a mesma nota, fiquei encucada. Fui olhar e eu tinha sido classificada pelo critério de desempate universal: idade. Pela primeira vez eu entrava em algo por que era mais velha que alguém. Kids, vocês podem imaginar as piadinhas que as pessoas fizeram. Mas lá fui eu para a prova didática e de títulos. Dei tudo de mim. No fim, fiz a segunda melhor prova didática do concurso, o que foi uma glória. Mas claro, não foi suficiente para compensar os pontos não feitos nos outros critérios. E a vaga merecidamente ficou com meu amigo Charles, que tinha feito o melhor em todos os quesitos.

Depois disso, muita coisa aconteceu. Mamãe adoeceu, e acabaria por nos deixar. Paralelo a isso eu fui trabalhar no ProJovem, conhecendo o Leo. Paralelo a ambos, eu fiz seleção de doutorado e acabei entrando e conseguindo uma bolsa. Ah, teve também a publicação do meu livro e o Leo indo morar lá em casa. Enfim, a vida seguiu, e chegamos nesse ponto em que eu estava aqui no Rio, fazendo meu sanduíche dentro do país, lépida e faceira, quando recebo um e-mail do IFSul. Achei estranho, mas vai saber, abri. E descubro que há uma vaga me esperando em Pelotas, no Campus Visconde da Graça. Minha cabeça girou. Lembrei de minha mãe dizendo que estava resando e que eu ia conseguir aquele belo emprego federal. Lembrei do tanto que eu queria vir pro Rio, pensei no Leo e em como Pelotas é longe. Primeira reação: não vou aceitar.

Mas como pânico é normal e eu já ia para Porto Alegre no dia seguinte mesmo, conversas aconteceram. Com o Leo, meu pai, meu orientador, os amigos, o amigo que já tinha passado no concurso, os funcionários do IFSul, o coordenador pedagógico e eu resolvi aceitar a vaga com convicção. Um medinho que ninguém é de ferro, mas com convicção.

Aí que faltava fazer a parte burocrática e lá fui eu ontem. Além do mais, precisava descobrir como minha vida ia ficar nos próximos meses. Resumo da ópera: três dias em Pelotas, dois dias no Rio e quando der em casa, todas as semanas. Pra quem sabe como minha filosofia de vida inclui um apreço especial pela minha casa e pelo Leo, já deu pra sentir o drama.

Por outro lado pensei comigo que até o início de dezembro eu aguento. E além do mais, o emprego é tão sorridente...

E foi assim Kids, que eu virei uma professora de história de uma instituição federal de ensino.

1 enviaram correspondência:

Luís Augusto Farinatti disse...

Agora sim, está explicado. Tudo de bom para ti e parabéns!