Ontem eu me despedi do pensionato onde passei os últimos 2 meses hospedada. As pessoas gostavam de dizer que eu morava lá. Eu sempre preferi pensar que eu era hóspede. Acho que isso fazia toda a diferença em relação a minha visão sobre o lugar e a visão das pessoas. Aquele é um lugar de passagem, não uma casa, onde se divide a vida com quem a gente quer ter como família. Olhar aquele lugar como casa é admitir que se pode viver sozinho, isolado, com convivência apenas forçada e aleatória. Não escolhi isso pra minha vida e já faz tempo que construí outro caminho, o de ter os que amo e me amam comigo. Mas foi bom, nãoe stou reclamando, apenas pensando em por que havia tanta gente triste por lá.
Passo esses próximos dias na casa de minha amiga Di, querida, ocupando o futon da sala e tentando não incomodar, enquanto termino o que ainda posso fazer aqui. Mas sabe, desde ontem, a iminência de ir pra casa, tem me feito muito bem. Só me falta voltar a cuidar do que como e cuidar melhor do meu corpo. O primeiro cuidado é pura questão de organização e quero crer que vou conseguir para evitar a trite enxaqueca que apareceu duas vezes na semana. O segundo, bem, é um aprendizado agora, já que meu pé tem incomodado cada vez mais. Quero crer é porque as coisas estiveram estranhas nesses dias.
Sobre os primeiros pontos do meu balanço, eu já tinha falado de um deles antes. Descobri que posso viver com muito pouco. Espero que isso me ajude a comprar menos e melhor. Ou a dar significado pra menos coisas. Por outro lado, tenho que admitir que tenho sentido falta do conforto das minhas coisas. E que às vezes, só às vezes, sinto falta de comprar algo só por que só existe aqui e me parece tão bacana. Mas me seguro. Tenho muitas passagens aéreas a comprar.
Outra descoberta, não é bem uma descoberta. Eu já sabia. Mas a verdade é que não posso mais ficar longe do Leo. Não assim, por tanto tempo. Nem toda a tecnologia do mundo permite que se divida a vida assim. E a gente é tão cotidiano um do outro... Senti falta dele me contando da escola e me dizendo que eu estava com sono, de dormir junto e acordar também. Senti falta de ir no super e pensar no que a gente ia comer. Sei que essa mesma rotina vai demorar pra se restabelecer. Mas ao menos, não vou ficar tanto tempo assim longe dela. E podemos criar outra, baseada na nossa nova realidade.
Então, em menos de uma semana, Porto Alegre, aí vou eu!
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