domingo, 16 de outubro de 2011
sorvete, greve e céu azul: pedaços de um início ainda não terminado
Então, cá estou, curtindo um tempo inesperado em casa. Não com menos trabalho que o habitual. Engraçado que qualquer oportunidade que surge é aproveitada para resolver pequenas pendências que antes não tinham urgência nenhuma, podendo ser proteladas para depois dos projetos novos e imediatos. Agora todos os projetos não finalizados são buscados com desespero a cada momento de sossego, como se o seu status de inacabados me impedisse de começar os próximos. E impede na verdade. Antes, essas coisas estavam na verdade em suspenso, por que podiam ser resolvidas no meu formato de vida que iria voltar em dezembro. Agora, fazem parte de algo que não voltará e portanto, me sinto como na se tivesse uma única chance de acabá-los e me agarro nela, rsrs. Ando super eficiente, espero que isso não me atrapalhe depois.
O tempo inesperado veio por conta de uma greve. Eu contava precisar desse fim de semana para preparar aulas, mas pasme, não tenho alunos. Todos os professores estão em greve, então, mesmo que eu cumpra meu horário de trabalho, coisa da qual nesse momento não posso fugir por que tenho uma série de necessidades burocráticas a atender, meu trabalho extra-classe não existe. Não vou dizer que não foi bom, seria mentira. Meu cérebro já tinha organizado uma lista imensa de coisas que estavam para serem resolvidas, de cuidados com a casa (dois meses fora não são pouca coisa), compras necessárias para o trânsito constante e claro, muito trabalho relacionado ao doutorado a terminar.
Enquanto resolvia pequenos problemas da casa, esmaguei meio quilo de morangos (que comprei em frente ao mercado público, quando fui encontrar uma amiga a quem tinha coisas a entregar) com o suco de meio limão tahiti, 3/4 de xícara de açúcar e uma pitada de sal. Dez minutos depois, quando já tinha resolvido vários pequenos problemas da vida doméstica, bati tudo no liquidificador com meio litro de creme de leite fresquinho. Deixei tudo gelando durante a noite e coloquei na sorveteira pela manhã. Enquanto a máquina fazia seu trabalho, limpei os dois computadores e li um dos textos para minha aula de sexta e qaurenta minutos depois vi o sorvete saltar pra fora da máquina, rsrs. Depois do almoço de hoje, foi ótimo ver aquele sorvetinho super cor-de-rosa e contrastar ele como o azul do céu de domingo em Porto Alegre.
Dá quase vontade de colocar o sorvete numa casquinha e ir até a Redenção comendo. Mas na verdade, está tão bom trabalhar aqui e ficar com aquela sensação gostosa de que estou dando um destino feliz a resultados de meses de trabalho, que vou deixar o sorvete pro Leo e a caminhada pra quando meu pé estiver curado. E vou continuar, por que tem um capítulo de livro a ser corrigido me esperando e meio artigo esperando continuação.
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