É tão bom estar em casa que não consigo descrever. Meu corpo se sentiu tão à vontade que se permitiu ter uma crise de stresse. Tudo bem, consigo realmente descansar dormindo na minha cama e comendo da minha comida. Mas há algumas realidades a encarar. Essa coisa toda de viagem, além de fazer um mal danado pro meu corpo, está fazendo um mal danado pro meu bolso. Eu sei que tudo isso é investimento, mas meu ethos de descendente-de-italianos-da-serra-gaúcha me faz ter pesadelos ao olhar os números.
Na verdade a situação atual se resume a uma concentração de todas as coisas que eu sei que não me fazem bem: rotina apertada, falta de grana, alimentação não regrada, horas e qualidade de sono insatisfatória, falta de exercício físico e, principalmente, pouco tempo pra ficar com quem eu amo.
Ao longo dos últimos anos eu fiz uma série de escolhas que me tornaram uma pessoa mais feliz, mais satisfeita comigo mesmo e mais saudável. Agora, por dois meses, tenho que aguentar ir contra tudo isso. E na verdade, acho que toparia melhor se conseguisse me convencer que tudo isso vai me retornar em algo, mas confesso que caramba, não consigo! Os dois meses anteriores foram maravilhosos em vários sentidos: fiz avanços gigantes na pesquisa e na minha compreensão das coisas, conheci muita gente bacana, assisti uma ou duas palestras que me acresceram muito. Por outro lado, algumas coisas ficaram claras: não consigo mais viver muito tempo longe da minha casa e do Leo, meu corpo está reclamando cuidados urgentes, entre eles emagrecer de novo oito kilos e descobrir um jeito de fazer alguma atividade física com um pé debilitado e sem tempo. A diferença entre o que fiz até agora e os dois meses que virão é a visibilidade do retorno. Acho que já consegui o que queria e precisava, parece que vou só cumprir tabela daqui pra frente. De uma forma dispendiosa e exaustiva, diga-se de passagem.
Acho que a bagunça me incomoda mais do que em outros momentos. Já vivi outras situações caóticas e parecia que não estava tão consciente dos detaçhes do caos. Agora cada coisinha já me deixa alerta e desconfortável. Talvez seja uma constatação do tempo e seus efeitos, talvez seja uma mudança de objetivos, não sei. Sei que estou tendo que preparar para tempos mais duros. O que me consola é que vai passar, tudo vai passar e me contaram que depois vai ser melhor. Espero. Com muita vontade.
Enquanto isso, vou pensando em paliativos. Como mimo de pai e cházinho quente.
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