sexta-feira, 11 de novembro de 2011

exaustão e recompensas

Hoje minha coluna me convenceu que tudo tem um limite. Depois de dias de sono insuficiente, repetição de calçados, excesso de peso e horas de poltronas de ônibus e avião, desde ontem minha enxaqueca tem aparecido exigindo o comprimido de Cefalium que a mantêm sob controle. A dor muscular é tão grande que ao tentar um alongamento para diminuir a tensão e tentar evitar a dor, descobri que não consigo fazer alguns movimentos. Vou partir para uma atitude mais radical, procurando uma massagista antes da aula. Assim, acho que resolvo a questão. ou pelo menos espero.

O motivo de toda a tensão é o excesso. Carrego muito peso para poder trabalhar mais e em qualquer canto, o que significa que nunca descanso. estou fazendo uma jornada de 10 horas na escola para poder fazer uma jornada menor na quarta, quando corro para Porto Alegre, na esperança de ter mais tempo para trabalhar nas coisas que só posso fazer em casa. Minha alimentação também não tem sido um primor, o que me mantêm inchada e consequentemente, mais vulnerável à dores musculares. Por fim, o excesso de sedentarismo ainda me deixa completamente vulnerável ao resto.

Por que estou escrevendo isso? Tenho esperança de que daqui a um mês eu lembre de ler esse post e nunca mais repetir uma rotina dessas. E lembre de recusar propostas aparentemente irrecusáveis. Na verdade esse deve ser um processo da mais pura reflexão.

Quando resolvi ser professora e historiadora, eu sabia não ganharia rios de dinheiro e que para ter uma vida digna, eu precisaria de muito esforço e anos de estudo. Confesso que as coisas até estão acontecendo um pouco antes do que eu havia imaginado, mas ainda assim, há outras coisas a considerar. Quando aceitei que não seria "rica", também aceitei que minha vida me permitiria mais liberdade e uma qualidade que o desejo de ganhar dinheiro nem sempre comporta. Resolvi que teria menos, que consumiria menos e que privilegiaria as pessoas, os afetos e não os objetos. Nos últimos anos então, venho me interessando cada vez mais pelo conceito de simplicidade voluntária, pelo desapego material, pela criação de significado, pelo meu bem estar. Venho pensando duas vezes antes de gastar dinheiro e direcionando a forma como eu o ganho à minha realização pessoal, tentando sempre fazer o que eu considero mais recompensador sob o ponto de vista humano. Também venho cuidando mais do meu corpo, do que a gente come e pensando de forma mais radical sobre a responsabilidade que temos ao consumir, coisas que eu desejava a muito poder fazer.

Tudo isso, não me fez deixar de lado a ideia de muito esforço para conseguir o que eu queria profissionalmente. A grande diferença consiste em que nos últimos anos eu vinha sentindo cada vez menos como obrigação o trabalho, e cada vez mais como prazer. Mesmo os tensos momentos de escrita, em que tenho que espremer meu cérebro até conseguir expressar num texto todas as conclusões que levo meses para extrair dos dados e tornar tudo tão inteligível aos outros quanto é pra mim, bem até ali sinto prazer. Ou quando tenho que passar pela tormenta de me colocar diante do público para apresentá-lo, atividade que já me levou a tentativas de fuga, até nessas situações tenho sentido prazer. Porque tenho encontrado respeito e visto que meu trablaho contribui para um quadro mais amplo, o que faz tudo ter algum sentido.

Então por que agora meu corpo resolve reclamar? Serei sincera. Não consigo ver sentido nessas viagens todas. Por questões que não quero expor, acho que cheguei num momento em que nem toda concessão que me é dada tem que ser aceita como presente. Começo a descobrir que em algumas situações, um vínculo ou um título podem significar um esforço não recompensador, na medida que não produz nada do qual eu possa me orgulhar. Acho que é hora de rever status relacionais, de forma a repensar as aceitações. Acho que eu preciso restabelecer meu respeito ao meu tempo e espaço nessa nova vida. Vou parar por aqui, por que não posso falar mais nada. Até dezembro, o mundo está estacionado nisso.

Por fim, no Rio de Janeiro, os helicópteros frenéticos sobrevoam as vizinhanças da Rocinha, o centro se recupera da manifestação de ontem pelos royalties do petróleo e o calor está começando a ficar impossível. Mas quero crer que a cidade segue linda.

Bom feriado a todos.

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