Querido Papai Noel,
Faz tempo que não te escrevo. Eu sei, teve aquela fase dos 16 aos 22 anos em que cantei músicas punks para dizer que você é um produto do capitalismo. Depois, passei a pensar no natal como aquela época em que eu concedia atenção aos familiares menos chegados, que como você sabe eram todos menos papai e mamãe. Aí, o tempo foi passando, eu fui revendo cada vez mais filmes natalinos na sessão da tarde quando ficava de folga em Caxias do Sul e fui me reacostumando a tua presença. Aí, este ano, comprei um livrinho pequenininho do Lévi-Strauss e eterndi que tu existe, e porque. Graças a esse francês esquisito, resolvi que é hora de fazer as pazes contigo.
Deixa te contar que fui uma boa menina no último ano. Eu trabalhei bastante, escrevi muito e ainda vou dar aulas no verão. Namorei pouco, dormi menos que deveria e aguentei aeroportos e rodoviárias até o meu limite. Tentei não ser grosseira e manter o sorriso. Considerando tudo isso, queria te pedir o meu presente: Papai Noel, me dá uma semana inteirinha em casa, sem nada pra fazer?
Um abraço,
Carla
PS: Não tem espaço pra montar uma árvore de Natal aqui em casa e nem chaminé, então, tu podes deixar o presente na meia que pendurei na porta de casa, eu pego ele lá.
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